Foto: © Daniel Seiffert / Berlinale 2025
A 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale, terá forte presença brasileira em 2026. Dois filmes dirigidos por cineastas brasileiros — Rosebush Pruning, de Karim Aïnouz, e Josephine, de Beth de Araújo — integram a seleção oficial da competição principal, que reúne 22 produções concorrendo ao Urso de Ouro, o prêmio máximo do festival.
Embora comandados por realizadores brasileiros, os dois longas são produções internacionais. Ainda assim, a participação reforça a projeção do Brasil no circuito global de festivais e consolida um momento de visibilidade do cinema nacional na Berlinale, considerada uma das principais vitrines do cinema autoral e político no mundo.
Além da competição oficial, o Brasil marca presença em outras mostras do festival com dez filmes que contam com participação da indústria nacional — número ligeiramente inferior ao registrado em 2025, quando 12 produções estiveram no evento, mas superior ao de 2024, que teve cinco títulos brasileiros.
Entre os filmes totalmente brasileiros selecionados estão A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; Feito Pipa, de Allan Deberton; Floresta do Fim do Mundo, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa; Fiz um foguete imaginando que você vinha, de Janaína Marques; Papaya, de Priscilla Kellen; e Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira.
Feito Pipa, que traz Lázaro Ramos no elenco, terá sua estreia mundial em Berlim. Já Se eu fosse vivo… vivia conta com a participação da escritora e linguista Conceição Evaristo e será exibido na mostra Panorama, uma das seções mais prestigiadas da Berlinale, dedicada a obras contemporâneas com forte diálogo social e estético.
Outros títulos com coprodução brasileira também integram a programação do festival, como Isabel, de Gabe Klinger; Narciso, de Marcelo Martinessi; Nosso segredo, de Grace Passô; e Quatro meninas, de Karen Suzane.
Retorno de Karim Aïnouz à competição
Figura recorrente nos principais festivais internacionais, Karim Aïnouz volta à competição da Berlinale mais de uma década após Praia do Futuro (2014). O diretor consolidou sua trajetória internacional ao vencer o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes com A Vida Invisível.
“Estou feliz da vida de voltar ao Festival de Berlim, um festival visionário. É uma honra poder estrear novamente aqui”, afirmou o cineasta à Agência Brasil.
Rosebush Pruning é uma coprodução entre Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido e aposta no humor ácido para discutir as contradições da família tradicional contemporânea.
Já Josephine, de Beth de Araújo — cineasta filha de pai brasileiro e mãe sino-americana — aborda a trajetória de uma criança marcada pela violência, em um drama de forte carga emocional.
Berlinale e tradição política
Criada em 1951, a Berlinale é reconhecida por seu perfil politizado e por valorizar filmes que dialogam com questões sociais, direitos humanos e diversidade cultural. Em 2026, as produções da competição oficial representam 28 países, escolhidas entre mais de 8 mil filmes inscritos, segundo a diretora do festival, Tricia Tuttle.
O histórico brasileiro no festival inclui conquistas expressivas: Central do Brasil, de Walter Salles, venceu o Urso de Ouro em 1998, e Tropa de Elite, de José Padilha, levou o principal prêmio em 2008. Mais recentemente, O Último Azul, de Gabriel Mascaro, foi laureado com o Urso de Prata em 2025, reforçando o bom momento do cinema brasileiro no cenário internacional.