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Exposição CKD - Completely Knocked Down volta após parada por causa da pandemia


Obras de artistas do Recife e de Bremen (Alemanha) podem ser vistas a partir do dia 23 de setembro no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhaes

Obra de Silvio Hansen na exposição CKD - Completely Knocked Down. Foto: Roberta Guimarães

 

A exposição CKD - Completely Knocked Down recebe visitantes mais uma vez, a partir desta quinta-feira (23/09), no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam). Às 14h30, uma reabertura simbólica será transmitida pelo Google Meet, com direito a uma visita virtual. A iniciativa é promovida com o intuito de conectar os participantes do Recife, de Bremen e o público.

A mostra foi inaugurada em março de 2020, mas o espaço cultural localizado na Rua da Aurora precisou fechar as portas pouco tempo depois disso por causa da pandemia de Covid-19. Agora, a coletiva realizada com apoio do Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA) e produzida pela Relicário Produções é retomada pelos seus realizadores com uma nova configuração.

"Tivemos que mudar muita coisa já que o tempo de 21 dias para montar a exposição e ter essa colaboração entre artistas internacionais foi encurtado para uma semana, quando tivemos que voltar às pressas no último voo do Recife para a Europa", conta Francisco Vaz, artista e idealizador do projeto que atualmente mora na Alemanha. Na ocasião, os artistas ficaram sete dias confinados no museu trabalhando conceitos, discutindo as obras e montando toda exposição sem entender o que iria acontecer dali adiante. 
 
O conceito da exposição CKD - Completely Knocked Down consistia em uma realização bilateral, sendo programada para acontecer de 23 de setembro a 11 de dezembro de 2021 no Recife e em setembro de 2022 em Bremen (Alemanha). O título se refere a um termo técnico que define um conjunto de partes completamente desmontadas de um único produto. “A ideia é a de juntar gerações diferentes. Como todos os artistas também são curadores, vamos desconstruir um pouco a estrutura de uma exposição”, explica Francisco Vaz. "A exposição é uma construção coletiva com obras dos artistas locais e fragmentos de obras dos artistas alemães que vieram em um container da Alemanha".
 
A exposição que vai entrar em cartaz no Mamam é fruto da colaboração de todos os artistas envolvidos, cinco recifenses e quatro alemães:  Paulo Bruscky, Marcio Almeida, Maria do Carmo Nino, Christian Haake, Wolfgang Hainke, Silvio Hansen, Tobias Heine, Francisco Valença Vaz e Rebekka Kronsteiner. "Assumindo a exaustão, começamos a trabalhar pensando em formas de refletir essa situação e construímos um paredão de frases com a estrutura de conversas repartidas de SMS e que não propõem uma narrativa ou leitura dinâmica. Procuramos expor a descomunicação e a quebra de negociações ocasionadas pelo momento que estávamos vivendo", revela.
 
Nesse intervalo de um ano de pandemia e de reformulação da CKD, o projeto sofreu uma grande perda. O artista plástico e poeta visual Silvio Hansen faleceu por causa de um câncer. Silvio foi uma das lideranças ativas da Mail Art (Arte Postal), uma prática artística corrente e intensa nas décadas de 1970 e 1980, antes da propagação da internet como meio de comunicação. “Silvio foi o fio condutor para o projeto no Recife, iniciando nossas primeiras comunicações com o MAMAM e com a nossa produção. Ele oferece aqui uma interpretação onde a troca de postais e seu conteúdo artístico se transformou em uma das bases desta exposição”, lembra Vaz.
 
Catálogo - Ao final do período de exposição, será lançado um livro como resultado adicional da colaboração entre os artistas brasileiros e alemães, contendo textos de teóricos da arte de ambos os países. Este nível analítico-artístico é importante para dissecar em detalhe as semelhanças e diferenças das posições dos artistas. Além disso, o livro proporcionará a oportunidade de criação de um conteúdo independente do material exposto.
Além destes textos, o catálogo apresentará fotografias da exposição junto com fotografias do processo de montagem tiradas pela brasileira Roberta Guimarães e da Alemanha, Hannah Wolf. Na Alemanha, a fotógrafa Hannah Wolf registrou a entrada do container no porto e o empacotamento das caixas com as obras. Em Recife, a fotógrafa Roberta Guimarães registrou a chegada das caixas no MAMAM. Esse material será usado também com a documentação do conteúdo apresentado na exposição.
 

EXPOSIÇÃO “CKD - COMPLETELY KNOCKED DOWN”

 
Artistas participantes: Márcio Almeida, Paulo Bruscky, Christian Haake, Wolfgang Hainke, Sílvio Hansen (in memorian), Tobias Heine, Rebekka Kronsteiner, Maria do Carmo Nino e Francisco Valença Vaz
Fotógrafas: Hannah Wolf e Roberta Guimarães
Local: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – Rua da Aurora, 265 - Boa Vista – Recife – PE
Início da exposição: A partir de 23 de setembro a 11 de dezembro de 2021
Visitação: Terça a Sábado - 12h às 17h