Notícias :: Cultura

Home > Notícias > Cultura

Volkswagen vai indenizar vítimas da ditadura militar no Brasil


DW conta como a empresa alemã deve pagar R$ 36 milhões em indenizações para ex-funcionários perseguidos durante o regime

 
A montadora alemã Volkswagen vai indenizar ex-funcionários de sua filial brasileira que foram afetados pela colaboração sistemática da empresa com a ditadura militar no Brasil. Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung e as emissoras estatais NDR e SWR, a subsidiária brasileira da VW deverá pagar cerca de R$ 36 milhões em indenizações individuais e coletivas. Grande parte do valor irá para associações de vítimas formadas por ex-funcionários e seus familiares. 
 
A indenização está relacionada a uma ação movida há cinco anos contra a empresa em nome de ex-empregados que trabalharam na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) durante a ditadura militar. Com o acordo indenizatório, a companhia evita uma disputa judicial.
 
Em 2017, uma investigação realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) confirmou que a montadora alemã colaborou de maneira sistemática e ativa com o regime que governou o Brasil de 1964 a 1985.
 
Um relatório de 406 páginas apontou que a filial brasileira da VW espionou os próprios funcionários com interesse de descobrir opiniões políticas, e documentou a espionagem por escrito. Essa documentação era enviada ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops).
 
"A Volks teve um papel ativo. A montadora não foi obrigada a isso. Eles fizeram parte porque queriam", escreveu Guaracy Mingardi, perito que assinou o relatório do MPF.
 
O documento revelou ainda que o departamento de segurança da montadora permitiu a prisão de funcionários dentro de suas fábricas, mesmo sem mandados. Após a detenção, funcionários que eram considerados opositores ao regime foram torturados durante meses.
 
O texto acusou a VW de ter observado os funcionários antes das prisões. "É improvável que a Volkswagen não tenha participado ativamente dessas investigações", destaca o texto, acrescentando que o departamento de segurança da montadora teve um papel central na atividade repressora. Vários ex-soldados foram contratados pela empresa para trabalhar como seguranças.
 
Leia a matéria completa no site da DW.