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Irmãos Grimm deixaram legado que vai além da célebre reunião de contos


Neste Dia das Crianças, o CCBA convida a conhecer um pouco mais sobre o trabalho desses alemães, que acabaram fazendo parte da infância de gerações

Os irmãos Jakob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) Grimm nasceram em Hanau, cidade alemã a cerca de 18 km de Frankfurt. Além de uma estátua de bronze em praça pública, datada de 1896, a dupla é celebrada em sua terra natal com a realização periódica de um festival de teatro no qual artistas encenam peças baseadas nos contos populares reunidos pelos mundialmente famosos irmãos Grimm.
 
Junto a esse trabalho, eles também realizaram estudos sobre a língua alemã. "Os irmãos Grimm tinham uma visão: eles queriam preservar um pedaço da história cultural alemã, que na ocasião ameaçava desmoronar. No início do século 19 ainda não havia uma unidade alemã, e dominavam a instabilidade política, as lutas pelo poder e as conquistas militares. Isso perturbava Jacob e Wilhelm Grimm. Eles queriam uma nação unificada, um espírito de unidade entre o povo. Eles começaram então a explorar sua língua pátria e a recolher contos populares e mitos antigos, criando assim um campo de investigação desconhecido na época. Escreveram centenas de obras, incluindo marcos históricos, como o Dicionário Alemão, a Mitologia Alemã e a Gramática Alemã”, defende a DW neste especial sobre os irmãos Grimm.
 
Hanau pode ser o ponto de partida para uma viagem temática pela Alemanha. A Rota dos Contos dos Irmãos Grimm, também sugerida pela equipe da DW, passa por locais como Steinau, Kassel, Hamelin, Verden e Bremen. 
 
 
 

NOVAS EDIÇÕES

 

Após tanto tempo, o trabalho dos irmãos alemães ainda ganha novas publicações. A imagem reproduzida neste texto foi extraída de uma obra lançada no Brasil pela Cosac Naify, os dois volumes de Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos (1812-1815) são ilustrados com xilogravuras do pernambucano J. Borges.
 
“Quando os jovens irmãos Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) trazem a público, em dezembro de 1812, um volume com 86 narrativas recolhidas na tradição oral, certamente não poderiam imaginar que estava nascendo então uma das obras mais significativas não só da literatura, mas também de toda a cultura alemã", imagina o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcus Nazzari, no texto de apresentação da edição brasileira.
 
O professor também comenta aspectos específicos da obra dos irmãos: "A despeito, todavia, do êxito internacional que se abriu à coletânea de Jacob e Wilhelm Grimm, é digno de nota que a designação de gênero que atribuíram às suas narrativas não possua correspondência exata em nenhum dos inúmeros idiomas que as acolheram. Trata-se do substantivo neutro Märchen, forma diminutiva derivada da palavra Maere, que no médio-alto-alemão (estágio da língua que vigorou entre aproximadamente 1050 e 1350) significava ‘notícia’, ‘mensagem’ ou ‘relato’ associado a um acontecimento notável, que merecia permanecer registrado".
 
"Märchen se traduz geralmente por formas compostas – fairy tales (inglês), contes de fées (francês), cuento de hadas (espanhol), fiaba popolare (italiano) – ou então por termos que não guardam nenhuma relação com a etimologia do original alemão, como sprookje (holandês), eventyr (dinamarquês), skazka (russo). Em português temos ‘contos de fada’, ‘contos da carochinha’ ou ainda ‘contos maravilhosos’, sendo que esta última possibilidade talvez seja a mais apropriada, pois se as histórias designadas por Märchen poucas vezes apresentam fadas ou carochas, não podem prescindir jamais da dimensão do maravilhoso", conclui o professor.
 

 

ADAPTAÇÕES

 
 
Além de traduções, a obra dos Irmãos Grimm ganhou diversas adaptações ao redor do mundo nas artes cênicas, na TV (como a série policial Grimm) e no cinema (como os famosos filmes da Disney). Também no Brasil, o músico Tim Rescala e o ator José Mauro Brant criaram o musical Era Uma Vez… Grimm. O espetáculo, dividido em uma versão para adultos e outra infantil, foi apresentado em diversas cidades há alguns anos (inclusive o Recife, como atração do Janeiro de Grandes Espetáculos). Confira alguns trechos: