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Berlinale 2019: Saiba mais sobre os filmes brasileiros que participam do Festival de Cinema de Berlim


O Festival Internacional de Cinema de Berlim é conhecido por seu caráter político e costuma abrir espaço para os filmes brasileiros em sua programação. Na 69ª Berlinale, que ocorre de 7 a 17 de fevereiro, onze obras brasileiras (se incluídas na conta coproduções com Argentina, França e Cuba) participam das diversas mostras que compõem o evento.

Entre os filmes que serão exibidos a partir de quinta-feira (7/2) estão os longa-metragens de ficção Marighella, dirigido por Wagner Moura, e Divino Amor, de Gabriel Mascaro, e também o documentário Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar. Graças à parceria do Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA) com a Revista Continente, a jornalista Luciana Veras escreverá sobre os filmes e outras impressões sobre a Berlinale pelo segundo ano consecutivo. Os textos de Luciana serão publicados no site da Continente.

Mas, enquanto as sessões não começam, o CCBA adianta algumas informações sobre os representantes brasileiros na Berlinale 2019 (para saber o que a jornalista achou do festival em 2018, veja como foi a conversa no Kulturforum sobre o tema).

O júri da Berlinale 2019 é presidido pela atriz francesa Juliette Binoche e composto pela mesma quantidade de homens e mulheres - o que ainda é algo raro também em outros campos da arte. A atriz alemã Sandra Hüller, a cineasta inglesa Trudie Styler, o curador norte-americano Rajendra Roy, o diretor chileno Sebastián Lelio e o crítico Justin Chang completam o grupo.

 

Seu Jorge e Adriana Esteves em cena do filme Marighella, dirigido por Wagner Moura (Foto: O2 Filmes)

 

Filmes brasileiros no Festival de Berlim 2019

 

Marighella, direção de Wagner Moura: 1969. Marighella não teve tempo pra ter medo. De um lado, uma violenta ditadura militar. Do outro, uma esquerda intimidada. Cercado por guerrilheiros 30 anos mais novos e dispostos a reagir, o líder revolucionário escolheu a ação. Em Marighella, filme dirigido por Wagner Moura, o inimigo número 1 do Brasil tenta articular uma frente de resistência enquanto denuncia o horror da tortura e a infâmia da censura instalados por um regime opressor. Em uma experiência radical de combate, ele o faz em nome de um povo cujo apoio à sua causa é incerto - enquanto procura cumprir a promessa de reencontrar o filho, de quem por anos se manteve distante, como forma de protegê-lo.

 

Divino Amor, direção de Gabriel Mascaro: Brasil, 2027. Uma devota religiosa usa seu ofício num cartório para tentar dificultar os divórcios. Enquanto espera por um sinal divino em reconhecimento aos seus esforços é confrontada com uma crise no seu casamento que termina por deixá-la ainda mais perto de Deus.

Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes: A cidade de Toritama é um microcosmo do capitalismo implacável. A cada ano, mais de 20 milhões de jeans são produzidos em fábricas de fundo de quintal. Os locais trabalham sem parar e os moradores são orgulhosos de serem os donos do seu próprio tempo. Durante o Carnaval - o único momento de lazer do ano, eles transgridem a lógica da acumulação de bens, vendem seus pertences sem arrependimentos e fogem para as praias em busca de uma felicidade efêmera. Quando chega a Quarta-feira de Cinzas, um novo ciclo de trabalho começa.

Rise, direção de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca: Jovens, talentosos e negros! Em um ato de empoderamento, um grupo de jovens negros, a maioria da primeira ou segunda geração de migrantes caribenhos, ocupou espaços públicos no metrô de Toronto apresentando o conceito de "edutainment" (junção das palavras educação e entretenimento, em inglês) - são poetas, rappers, cantores e músicos. A estrutura e o roteiro do filme são baseados no "edutainment", criado pelo artista KRS-One. Também participam membros do grupo R.I.S.E. (Reaching Intelligent Souls Everywhere), que organiza um slam semanal em instituições de Toronto. 

Greta, direção de Armando Praça: Pedro, um enfermeiro gay de 70 anos, é fã de Greta Garbo. Quando precisa liberar um leito no hospital onde trabalha para salvar Daniela, sua melhor amiga, ele decide facilitar a fuga de Jean, um paciente criminoso que está sob custódia da polícia. Preocupado com o estado de saúde de Jean, Pedro esconde-o em sua própria casa para que possa tratar do seu ferimento. Eles acabam se envolvendo sexualmente, numa relação cheia de afetos e tensões, que leva Pedro a olhar de uma maneira nova para sua própria solidão, amplificada pela perda iminente de Daniela.

GRETA | Trailer Oficial from Carnaval Filmes on Vimeo.

Chão, direção de Camila Freitas: Enquanto o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza protestos e movimentações para pressionar o governo a aprovar uma reforma agrária que redistribuirá o território de uma usina prestes a falir, um grupo de conservadores ligados a latifundiários luta para acabar com as manifestações dos ocupantes.

Querência, direção de Helvécio Marins Jr: Marcelo é um cowboy que, em seu tempo livre, trabalha como locutor de rodeio, sua verdadeira paixão. Um dia, ao voltar para casa, ele vê um homem armado tentando roubar o gado dele e também o cavalo Appaloosa.

A Rosa Azul de Novalis, direção de Marcelo Diorio: Marcelo é um dândi na faixa dos seus 40 anos que possui uma memória fora do comum. Ele é capaz de reviver memórias familiares distantes com perfeição e diz recordar de suas vidas passada detalhadamente: em uma delas, ele foi Novalis, um poeta alemão que perseguia uma rosa azul incessantemente. No entanto, Marcelo ainda não descobriu o que persegue em sua existência atual.

Espero Tua (Re)volta, direção de Eliza Capai: Quando a crise se aprofundou no Brasil, os estudantes saíram às ruas e ocuparam escolas protestando por um ensino público de qualidade e uma cidade mais inclusiva. Espero Tua (Re)volta acompanha as lutas estudantis desde as marchas de 2013 até a vitória do presidente Jair Bolsonaro em 2018. Inspirada pela linguagem do próprio movimento, o filme é conduzido pela locução de três estudantes, representantes de eixos centrais da luta, que disputam a narrativa, explicitando conflitos do movimento e evidenciando sua complexidade.

Breve História del Planeta Verde, direção de Santiago Loza: Um dia, Tania recebe uma ligação dizendo que sua avó morreu. A mulher trans se reúne com os dois melhores amigos, Daniela e Pedro, para viajarem até o local do enterro, quando descobrem que a falecida passou os últimos anos de sua vida na companhia de um amigo inusitado: um pequeno alienígena roxo. O último pedido da avó era que Tania levasse a criatura de volta ao local onde foi encontrada. Começa uma jornada para o trio de amigos.

La Arrancada, direção de Aldemar Matias: Mesmo dedicando-se integralmente a seu futuro como atleta, a jovem Jenniffer constantemente pergunta-se a respeito do seu compromisso com a Equipe Nacional de Atletismo de Cuba. Quando seu irmão mais novo decide deixar o país em busca de novos horizontes, suas dúvidas e questionamentos aumentam, deixando-a em uma situação complicada.