{"id":128,"date":"2023-02-28T10:53:35","date_gmt":"2023-02-28T13:53:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/?p=128"},"modified":"2024-02-20T09:23:11","modified_gmt":"2024-02-20T12:23:11","slug":"diaba-uma-aparicao-misteriosa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/2023\/02\/28\/diaba-uma-aparicao-misteriosa\/","title":{"rendered":"Diaba, uma apari\u00e7\u00e3o misteriosa"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por Lorenna Rocha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"726\" src=\"https:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z-1024x726.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-135\" srcset=\"http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z-1024x726.jpeg 1024w, http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z-300x213.jpeg 300w, http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z-768x544.jpeg 768w, http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z-676x479.jpeg 676w, http:\/\/www.ccba.org.br\/conexaoberlinale\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/97345_mama-jpg_9m1b8z.jpeg 1411w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Jos\u00e9 Medeiros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Exibido no &#8216;Forum Special&#8217;, A Rainha Diaba recebe novos olhares ap\u00f3s ser escaneado em 4K.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que esta \u00e9 a \u00faltima festa que fa\u00e7o aqui&#8221;, diz Diaba, usando sua coroa e v\u00e1rios colares, com uma sombra verde que real\u00e7a a tristeza em seu olhar. No entanto, o que ela n\u00e3o imaginava, nem provavelmente o diretor Antonio Carlos da Fontoura, \u00e9 que 50 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento, A Rainha Diaba (1973) estaria festejando pelo mundo, com uma nova c\u00f3pia escaneada e a vitalidade t\u00edpica de um filme an\u00e1rquico, cativando p\u00fablico contempor\u00e2neo com sua est\u00e9tica <em>kitsch<\/em>, sua performatividade excessiva, c\u00f4mica e brilhante, al\u00e9m de seu impressionante banho de sangue digno de uma hist\u00f3ria cheia de truques e trai\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De dentro de seu quarto, Diaba (Milton Gon\u00e7alves) dirige um neg\u00f3cio de tr\u00e1fico de maconha na periferia do Rio de Janeiro. Sua primeira apari\u00e7\u00e3o \u00e9 regida pelo suspense. Um grupo de homens est\u00e1 esperando para visit\u00e1-la at\u00e9 que possam entrar onde a Rainha est\u00e1. A c\u00e2mera atravessa o sal\u00e3o da casa de Diaba, onde podemos ver os rostos de todos os seus convidados, mas ainda n\u00e3o podemos v\u00ea-la. A expectativa deles \u00e9 tamb\u00e9m a dos espectadores. Finalmente, um corpo preto aparece na tela, raspando sua perna com um canivete. \u00c9 com essa primeira imagem que <em>A Rainha Diaba<\/em> constr\u00f3i sua personagem principal, uma mistura entre viol\u00eancia, feminilidade e mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>A Rainha Diaba<\/em>, h\u00e1 dois momentos intrigantes de coletividade, que s\u00e3o conduzidos por Milton Gon\u00e7alves: o primeiro, quando as &#8216;disc\u00edpulas da Diaba&#8217;, durante a festa em que ela aparece triste, se colocam ao lado da Rainha para descobrir quem estaria &#8220;atrapalhando seu coreto&#8221;; J\u00e1 a segunda \u00e9 durante a cena de tortura de Isa (Odete Lara), uma personagem que \u00e9 arrastada por um grupo de pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias e travestis para um sal\u00e3o de beleza e acaba traindo seu amante, Bereco (Stephan Necessian), que est\u00e1 mexendo na maconha da Diaba depois dela ter sido enganada por Robertinho (Edgar Rugel Aranha), um ex-s\u00f3cio de confian\u00e7a da Rainha, que quer tomar o lugar da Diaba no tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>O corpo de Milton Gon\u00e7alves \u00e9 uma presen\u00e7a insubmissa e inescap\u00e1vel, que usa a viol\u00eancia para romper os imagin\u00e1rios convencionais de criminalidade associados ao corpo negro. Al\u00e9m disso, a performatividade do corpo da personagem Diaba provoca, ainda, uma quebra na id\u00e9ia de criminalidade exclusivamente dominada pelos homens. O corpo negro ganha ambival\u00eancia em sua dissid\u00eancia de g\u00eanero, seu excesso performativo e a extens\u00e3o de seu corpo, que se d\u00e1 atrav\u00e9s da coletividade que envolve essa figura.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que nem sempre seja vista por n\u00f3s, objetos de cena, roupas e cores brilhantes se espalham pelo filme, fazendo de Diaba uma presen\u00e7a onipresente. O roxo, laranja ou vermelho dos trajes de seus parceiros de crime irradiam tanta vitalidade quanto a energia emanada pela Rainha. Todos os envolvidos nesta hist\u00f3ria a mencionam, seja por adora\u00e7\u00e3o ou com a inten\u00e7\u00e3o de ocupar seu lugar no trono. Esta figura onipresente nos convida a senti-la sem necessariamente v\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observa\u00e7\u00f5es:<\/strong> <em>este texto foi escrito e publicado em ingl\u00eas, no blog Talent Press. Para conferir, clique neste link: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.talentpress.org\/bt\/talentpress\/v\/diaba-a-mysterious-apparition\" target=\"_blank\">https:\/\/www.talentpress.org\/bt\/talentpress\/v\/diaba-a-mysterious-apparition<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O filme &#8220;A Rainha Diaba&#8221; est\u00e1 dispon\u00edvel para visualiza\u00e7\u00e3o na \u00edntegra no Youtube.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Lorenna Rocha Exibido no &#8216;Forum Special&#8217;, A Rainha Diaba recebe novos olhares ap\u00f3s ser escaneado em 4K. \u201cAcho que esta \u00e9 a \u00faltima festa que fa\u00e7o aqui&#8221;, diz Diaba, usando sua coroa e v\u00e1rios colares, com uma sombra verde que real\u00e7a a tristeza em seu olhar. 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